Querida, antes de tudo —

Todo mundo pergunta do bebê. Eu pergunto: como você está,
de verdade?

Sou a Dra. Camila Reis. Cuido da sua saúde mental ao longo da gestação e também depois — no tempo em que o cuidado costuma diminuir, mas você ainda merece colo. Aqui a câmera não está apontada para o bebê. Está apontada, com carinho, para você.

respira, e vem comigo
Uma mulher serena olhando por uma janela, em luz suave e granulada, com expressão tranquila e humana — você, do seu jeito
não a mãe das revistas. você, do seu jeito, e que bom.

primeiro tempo

Gestação

Disseram que você ia se sentir plena. E às vezes você se sente mesmo. Outras vezes vem uma dúvida, um cansaço, um corpo que está mudando e pedindo um pouco mais de cuidado. Tudo isso é bem-vindo aqui.

Eu não vou te cobrar gratidão. Vou te perguntar como você está hoje, com calma. Porque sentir alegria e dúvida ao mesmo tempo não é contradição — é gestar. As duas coisas cabem aqui, e você também.

  • quando a ansiedade aparece antes do enxoval Te ajudo a acalmar a mente que não desliga, as buscas no celular de madrugada, a vontade de controlar tudo. A gente respira junto e vai devagar.
  • quando o corpo muda e você está se reconhecendo Acolho o estranhamento de um corpo novo, a saudade do antigo e a pressão de "aproveitar cada momento". Aqui você pode sentir no seu ritmo.
  • quando esta gravidez vem depois de uma espera longa Cuido, com delicadeza, da esperança misturada com receio de quem já esperou muito. Você não precisa segurar isso sozinha.

segundo tempo

Reta final

Mãos de uma mulher segurando uma xícara morna perto de uma janela, gesto pequeno e aconchegante, luz suave

Falta pouco — e é natural que a cabeça acelere um pouco agora. A contagem que era só animação ganhou uma ponta de ansiedade. E tudo bem se você ainda não se sente totalmente pronta.

Você não precisa estar pronta. Ninguém fica de todo. Você merece estar acompanhada — e isso muda tudo.

Nesta reta, a gente desacelera de propósito. Eu te ajudo a acolher o friozinho na barriga, a organizar uma rede de apoio carinhosa antes do bebê chegar e a nomear o que você sente sem precisar enfeitar. Pra que a chegada te encontre amparada.

terceiro tempo

Parto

Depois do alívio, às vezes vem uma mistura de sentimentos que poucos nomeiam. O parto que você imaginou e o que aconteceu nem sempre são iguais — e está tudo bem dar espaço para essa diferença.

Talvez tenha sido uma cesárea que você não esperava. Talvez tenha sido longo, intenso, ou rápido demais para processar. Talvez todos digam "o que importa é que correu tudo bem" — e você queira contar como foi para você também. O parto também é uma travessia do coração. Não só o corpo atravessa.

O que você sentiu no parto importa. E aqui há lugar para você contar com calma.

Aqui a gente revisita o que aconteceu sem pressa de virar a página. Acolho a surpresa, o alívio, a vontade de entender o que passou. Porque dar nome ao que você viveu deixa o caminho mais leve para o tempo que vem — e desse tempo eu também cuido.

quarto tempo · o coração deste diário

Quarto trimestre

O bebê nasceu. As visitas vão diminuindo. A casa fica mais quieta. E é fácil esquecerem de perguntar de você. É exatamente aqui que eu fico.

Mulher no pós-parto, tranquila e pensativa, em quarto de luz suave e granulada, com um tecido aconchegante por perto — íntima e humana
o tempo em que o cuidado costuma faltar. eu continuo aqui.

Antes de qualquer outra coisa, eu tiro um peso dos seus ombros:

  • Você não é uma mãe ingrata se um dia bom também tiver lágrimas.
  • Você não está exagerando quando precisa de ajuda e de descanso.
  • Você não falhou se a amamentação seguiu um caminho diferente.
  • Você não precisa amar cada minuto para ser, do seu jeito, uma ótima mãe.

No quarto trimestre eu cuido do cansaço que pede um respiro, da tristeza que aparece sem aviso, da ansiedade das madrugadas, do baby blues que ainda ronda e também da depressão pós-parto, com a atenção que ela merece. Sem alarme, sem julgamento. Com leveza e presença.

um momento só seu

Como você está, de verdade?

Não é um teste, não é diagnóstico. É um cantinho para você se ouvir com carinho — uma pergunta de cada vez, sem nota, sem certo ou errado. Ninguém vê suas respostas. Elas ficam só com você.

Respira fundo uma vez, sem pressa. Quando quiser, a gente começa. São cinco perguntinhas. Você pode parar quando preferir.

Nos últimos dias, você tem conseguido descansar — mesmo quando o bebê dorme?
Quando pensa em você mesma — não no bebê, em você — o que aparece primeiro?
A culpa tem aparecido? Aquela que te diz que você deveria estar fazendo melhor.
E a alegria — as pequenas coisas que antes te tocavam ainda chegam em você?
Por último: alguém já te perguntou, de verdade, como você está — e esperou a resposta?

obrigada por se ouvir

O que quer que tenha aparecido aí dentro, ele é bem-vindo. Isto não foi um diagnóstico — foi você dando um carinho a você, e isso já é cuidado. Se algo tocou mais fundo, saiba que você não está sozinha. Eu posso te ouvir com calma, no seu tempo.

quero conversar com a Camila, no meu tempo

última página · escrita à mão por mim

Querida,

se você chegou até aqui, eu já sei algumas coisas sobre você. Sei que você se importa muito. Imagino que costuma deixar o seu próprio cuidado por último. E que talvez faça um tempo que ninguém te faz a pergunta certa.

Então deixa eu fazer, mais uma vez, antes de fechar este caderno: como você está, de verdade?

Não importa em que tempo você esteja — esperando, na reta final, logo depois do parto, ou meses adiante naquele puerpério que parece já ter passado. Você também importa. Não só como mãe. Como você. E o meu cuidado não termina no parto: ele continua, com carinho, também onde a maioria costuma parar.

Quando quiser, estou aqui. Sem pressa, sem julgamento.
Eu fico.

Camila